Dia do Idoso

01-10-2025

Hoje, no Dia Internacional do Idoso, detenho-me num gesto de silêncio e de homenagem.

Portugal é, hoje, o país mais envelhecido da União Europeia (Pordata/FFMS, 2024) — um dado frio que esconde vidas inteiras, rostos que guardam memórias, histórias que sustentam o que somos.

Este dado não é apenas estatística, é um espelho de quem somos e de como cuidamos daqueles que construíram o presente que habitamos.

A Organização Mundial da Saúde alerta que cerca de 20% dos idosos vivem com sintomas de depressão ou ansiedade e que a solidão se tornou um dos maiores riscos para a saúde mental e para o declínio cognitivo. 

Em neuropsicologia, estudos recentes revelam que o isolamento social acelera perdas de memória e atenção, funcionando como preditor de deterioração cognitiva precoce (BMC Geriatrics, 2024). Também sabemos que 1 em cada 9 pessoas acima dos 65 anos apresenta algum grau de défice cognitivo, muitas vezes não diagnosticado a tempo (WHO, 2024).Ao mesmo tempo, em saúde primária, estudos revelam que cerca de 68,6 % dos idosos tomam pelo menos um medicamento potencialmente inapropriado (PIM) e 46,1 % combinam múltiplas prescrições, com riscos acrescidos de interações adversas (SPGG). A ciência confirma o que o quotidiano nos mostra: o silêncio pesa mais do que as rugas, o isolamento adoece mais do que a idade.

A investigação recente avança com novas metodologias — como a gerontologic biostatistics 2.0 — integrando big data, medidas fenotípicas multimodais e machine learning para captar a complexidade do envelhecimento e orientar intervenções mais precisas. Mas o entusiasmo tecnológico não pode ofuscar a realidade crua: muitos idosos vivem isolados, dependentes de redes frágeis, com saúde mental negligenciada, sentindo-se invisíveis. Quantos sofrem silenciosamente abuso psicológico, financeiro ou negligência nos bastidores dos próprios lares ou familiares? 

A OMS reporta que um em cada seis idosos é vítima de algum tipo de violência (subestimada, inevitavelmente). Ao longo do meu percurso — como vereadora com responsabilidade social, como psicóloga e como cidadã profundamente envolvida — tive o privilégio de contribuir para o envelhecimento ativo, criando, acompanhando e defendendo projetos que deram visibilidade, dignidade e esperança a esta faixa etária tantas vezes esquecida. Essa missão continua viva em mim, hoje e sempre.

Envelhecer não é um fardo. É património vivo. É memória coletiva. É a mais alta forma de dignidade humana!

01.10.2025

Andreia Polido de Almeida - Gabinete de Psicologia e Neuropsicologia

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