DIA MUNDIAL DA SAÚDE MENTAL - Entre o silêncio e a urgência

10-10-2025

E se o verdadeiro progresso não estiver na velocidade com que avançamos, mas na forma como cuidamos da mente? 

Fala-se cada vez mais de saúde mental — e, paradoxalmente, continua a ser um dos temas sobre os quais mais se silencia. Entre hashtags, campanhas e frases feitas, o essencial corre o risco de se perder: a saúde mental não é um luxo emocional nem um privilégio de quem tem tempo para pensar em si. É uma condição de sobrevivência humana.

Como psicóloga e neuropsicóloga, tenho acompanhado, ao longo dos anos, crianças, jovens, adultos e profissionais que carregam nos ombros o peso invisível do "estar bem" — mesmo quando já não conseguem sê-lo.

Vivemos numa cultura da performance emocional, onde se espera que cada um seja resiliente, produtivo e permanentemente positivo. Mas a ciência é clara: o cérebro humano não foi desenhado para a exaustão constante, para a hiperconectividade ou para o autocontrolo infinito. O stress crónico, a sobrecarga cognitiva e o isolamento emocional alteram o funcionamento do sistema nervoso central, comprometem a atenção, a memória e a capacidade de regulação emocional.

A saúde mental não é uma questão de vontade — é neurobiologia, é contexto, é humanidade. Precisamos de políticas públicas que priorizem a prevenção, e não apenas a resposta em crise. Precisamos de escolas que integrem a literacia emocional como competência básica, e não como atividade extracurricular. Precisamos de organizações que compreendam que o bem-estar não é um departamento — é uma cultura. Mas, acima de tudo, precisamos de um novo pacto social: cuidar da mente deve ser tão natural como cuidar do corpo.

Investir na saúde mental não é apenas tratar doenças; é promover a vida em plenitude cognitiva, emocional e relacional. É permitir que as pessoas se reconheçam — não pelo que produzem, mas por quem são! Neste Dia Mundial da Saúde Mental, deixo uma reflexão: e se o verdadeiro progresso não estiver na velocidade com que avançamos, mas na capacidade de parar, sentir e compreender o que a nossa mente tenta dizer-nos?

Porque cuidar da mente não é sinal de fraqueza. É um ato de coragem. E é, sem dúvida, o ponto de partida de todas as outras formas de saúde. Que este dia não seja apenas uma data no calendário, mas um convite a agir — nas políticas, nas escolas, nas famílias, nas empresas e em cada gesto diário de empatia.

Porque quando uma sociedade cuida da mente, cuida do futuro!

#SaúdeMental #DiaMundialDaSaúdeMental #Psicologia #Neuropsicologia #BemEstarEmocional #SaúdePsicológica #EquilíbrioEmocional #CuidarDaMente #Empatia #ConsciênciaMental #FalarÉCuidar #HumanizarÉPreciso #Reflexão #CuidarÉAtoDeCoragem #SociedadeComSentido #SaúdeÉMaisDoQueAusênciaDeDoença#OrdemdosPsicólogosPortugueses

© 2021 Andreia Polido de Almeida
Desenvolvido por Webnode
Crie o seu site grátis! Este site foi criado com a Webnode. Crie o seu gratuitamente agora! Comece agora