O OUTRO EM NÓS
O OUTRO EM NÓS
(Uma possível) Crónica de um Cuidador Informal
Cuidar de alguém é uma travessia silenciosa.
Não se escolhe — cumpre-se!
É um pacto tácito entre o amor e a exaustão, entre o dever e o desvelo. Ser cuidador informal é habitar um tempo suspenso, onde os dias se confundem e o corpo se torna extensão do outro. As horas dissolvem-se em rotinas que já não se questionam: o comprimido às oito, a refeição demorada, a compressa morna, o gesto repetido com a precisão de um ritual sagrado.
Há uma solidão que não se nomeia. Uma angústia que não se explica. A fadiga que é mais da alma do que do corpo. Os dilemas que dilaceram a cada minuto. Mas há presença que acolhe. Há ternura que serena. Há olhar que antecipa a necessidade antes que a palavra a declare.
Há abraço que revigora a esperança. Há o toque inconfundível de quem ama que nos retorna à vida. Permanece o vínculo inapagável que desafia a lei da (i)mortalidade. Cuidar é abdicar e, paradoxalmente, é encontrar-se! É praticar a nobreza discreta de entrega que é, em simultâneo, renúncia e transcendência.
É dispender o tempo próprio para ganhar um sentido maior. É sentir o coração exausto e, ainda assim, disposto. Porque cuidar é permanecer quando tudo convida à fuga.
E é, talvez, a forma mais humana — e mais sublime — de amor!
Andreia Polido de Almeida 05.11.2025
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